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Nossas Aventuras
25 de March de 2008
Velho é o mundo

Cristina Capuano 

 
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Mãos ásperas em meu ombro, José Brito, conhecido por Velho Zé, arreganha os dois dentes que lhe restam e se apresenta: "Velho é o mundo, filha. Eu sou é moço usado". Tem mais de 70, talvez 80 anos, pois identidade de caiçara a gente não conhece pela certidão. Sustenta com leveza o corpo pequeno e esguio. A pele é enrugada, curada pelo Sol. Traz consigo o chapéu, o jegue e uma carteira surrada de cigarro paraguaio: os três habituais companheiros das travessias solitárias pelo deserto. Fala pouco, o Zé. Prefere caminhar.

 

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Sem perder a classe

Alexandra Gonsalez

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"Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima..." Depois daquela tarde ensolarada na praia do Arpoador, no Rio, entendi exatamente o significado desse verso. Após muito correr naquela primeira semana carioca em 2003, resolvi aproveitar o meio do dia de folga que me restava: vesti meu biquini e fui tomar sol. Escolhi o Arpoador de maneira aleatória. Todo mundo falava do pôr-do-sol dali, então resolvi chegar bem mais cedo e me estirar na areia até a Lua despontar. Achei estranho aquele monte de surfistas entre as crianças e a moçada que circulava com seus lindos cães de raça - afinal, as ondas nem eram assim tão altas.

 

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Prova de obstáculos

Sonia Xavier

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Para uma mulher ganhar a estrada com independência e segurança, é preciso ter alguns cuidados. Em um carro alugado, o melhor a fazer é saber para que servem todos aqueles botõezinhos e o que significam aquelas luzes do painel e qualquer sinal sonoro que o carro possa emitir. Por isso, náo me intimidava em encher de perguntas o rapaz da locadora de automóveis. E, mesmo assim, vez ou outra acabava sendo pega de surpresa.

 

 

 

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Medo da Sombra

Beatriz Santomauro

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Sou medrosa, fico com frio na barriga, perco o sono. Há momentos em que consigo dominar minhas aflições, mas normalmente elas tomam mais lugar em minha vida do que eu gostaria. Viajar sozinha me faz perceber fraquezas e dá oportunidade de eu resolver conflitos e acabar com manias. Ou, às vezes, de experimentar todos os recursos da minha imaginação fértil numa tacada só – ainda mais se os roteiros me levam para velhos casarões em noites de tempestade. Ou a dormitórios de paredes rachadas e ruidosas.

 

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Como driblar a balança

Karina Greco

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Mulher sempre acha que está gorda. Como viajante, é inevitável provar aquelas iguarias tão comentadas e novas para o paladar. Ainda mais ficando pouco tempo em cada cidade. Há momentos em que é preciso fazer uma forcinha para conseguir experimentar de tudo. No Nordeste, almocei baião-de-dois, carne-de-sol e farofa de pilão, mas não perdi a vontade de comer uma bela tapioca na seqüência. E aquele perfeito marreco em Santa Catarina com todos os acompanhamentos a que tinha direito... Eu tentava me comportar, mas em alguns lugares era quase impossível.

 

 

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